Saúde

Alargar os horários dos centros de saúde

Em inúmeros concelhos do Alentejo, quando a noite começa a cair, é proibido ficar doente. No Distrito de Évora, entre as 22h00 e as 8h00 (apenas três centros de saúde estão abertos até às 21h00 e um até às 22h00), o hospital de referência único passa a ser o de Évora: um hospital para mais de 160.000 pessoas, sendo que em muitos casos o tempo de viagem pode ser superior a uma hora.

Para nós, este é um perfeito exemplo de como este Governo olha não só para o interior português, mas também para a Saúde. Precisamos de uma mudança de rumo! A saúde dos portugueses não é uma pieguice, é uma questão vital. Por forma a diminuir os tempos de transporte de doentes e para diminuir a área abrangida pelos hospitais, devemos exigir a existência de turnos noturnos nos centros de saúde mais deslocados. Não podemos descansar enquanto soubermos que, algures no nosso país, uma pessoa pode demorar horas até chegar a um hospital.

Garantir a presença de ambulâncias junto das populações

Uma das características mais distintas do interior alentejano é a distância que se tem de percorrer entre localidades e o tempo que se leva a percorrê-las. Aquilo que no mapa de um gabinete de um qualquer tecnocrata do Governo central pode parecer próximo, na realidade facilmente estará a uma grande distância, por imposição das condições de manutenção e pelo próprio traçado das estradas. Esta distância não é apenas um incómodo quando se trata de fazer viagens diárias entre casa e o trabalho, esta distância pode significar a diferença entre a vida e a morte quando se trata do transporte de doentes e feridos em ambulâncias.

As entidades regionais responsáveis pela área da Saúde devem ter condições para, em colaboração com as juntas de freguesia e municípios, garantir que todos os cidadãos que necessitem de uma ambulância tenham acesso a uma dentro de um período de tempo aceitável.

Melhorar a ligação ao Ensino Superior

A concentração dos cursos de medicina nas grandes cidades do litoral tem tido grandes custos para o interior do país. Poucos são os jovens médicos que, depois de concluírem os seus anos como internos, se querem fixar no interior do país onde não têm qualquer tipo de raízes. Optam, na sua maioria, por ficar nas regiões onde receberam a sua formação e terminaram os seus estudos. Um novo planeamento do Ensino Superior no Alentejo deverá garantir a existência de um curso de Medicina que permita à nossa região educar novos quadros nesta área tão essencial. Mais ainda, consideramos que os numerus clausus dos cursos de Medicina devem ser recalculados e redistribuídos tendo em conta as condições das universidades e as necessidades das regiões em que estas se enquadram.

Alterar o cálculo para distribuição de vagas de médicos pelos Agrupamentos

As situações vividas nos centros e postos de saúde e nos hospitais do Alentejo é insustentável. Em muitos locais, compete apenas a um médico garantir o funcionamento de postos de saúde, havendo mesmo casos tão revoltantes como vilas com perto 2.000 habitantes para um só médico (quando a média nacional se situa em 4,3 médicos por 1.000 habitantes). É da nossa opinião que o modelo de atribuição de vagas de médicos a agrupamentos deve ser alterado para tomar em conta as reais necessidades das populações, tomando em conta não só o número de habitantes da zona em questão mas também fatores como o envelhecimento da população e o número de internamentos e de consultas feitas a pessoas daí oriundas.

Aumentar as competências e a qualidade de serviço dos hospitais do Alentejo

O desmantelamento progressivo do Sistema Nacional de Saúde a que temos vindo a assistir, é uma das faces mais visíveis da estratégia de destruição do Estado Social pelo Governo do PSD/CDS. Os hospitais, cada vez com menos recursos, estão sobrelotados. As valências especializadas são, cada vez mais, centralizadas nos hospitais dos grandes centros urbanos, que passam a ter de prestar cuidados a mais pacientes, vindos de pontos cada vez mais distantes do país. Isto não é sustentável. Exigimos um reforço nos nossos cuidados de saúde e uma reestruturação do S.N.S., criando um modelo mais acessível e amigo dos portugueses.

Mais do que um aumento em termos de recursos humanos e materiais, defendemos que, através da criação de entidades regionais responsáveis pela área da Saúde, se distribuam as valências especializadas por hospitais sub-regionais de forma a garantir uma resposta adaptada, integrada e completa às necessidades das populações.